Considerações gerais

Veja a simulação 3d do procedimento.

As técnicas cirúrgicas atuais para a correção da calvície oferecem resultados considerados muito naturais. Segundo a A.S.A.P.S. (American Society of Aesthetic Plastic Surgery) dos EE.UU., o transplante de cabelo tornou-se o procedimento mais realizado na população masculina na América do Norte. No Brasil cada vez mais se fala neste procedimento, reconhecendo que estamos distantes da época da cirurgia que resultava na aparência "cabelo de boneca". A procura vem aumentando à medida que a população percebe a excelência dos resultados, e os profissionais vão adotando os procedimentos mais avançados e corretos. Hoje existem vários centros que oferecem cursos de aperfeiçoamento para os cirurgiões interessados nesta especialidade da cirurgia plástica.

Atualmente a técnica difere dos métodos empregados até alguns anos atrás, quando se transplantavam tufos de cabelo, com a utilização de aparelhos grosseiros, tipo "hand engine". Por deixar marcas grosseiras da cirurgia (centenas de cicatrizes na área doadora e aspecto de tufos na área implantada), esta técnica vem sendo condenada pelos especialistas.

Damos um alerta: as Sociedades de Cirurgia Plástica e de Dermatologia condenam o uso do aparelho "hand engine"!

Técnica cirúrgica

A Cirurgia

Embora seja um só processo, realizado numa única operação, vamos descrever o procedimento cirúrgico em diferentes etapas.

1ª etapa: A consulta Médica

Técnica cirúrgica

Não há como planejar uma cirurgia sem fazer antes uma consulta médica personalizada. Muitos pacientes acham que é possível uma avaliação à distância, e então enviam fotos de seu caso. Não é tão simples assim. Acima de tudo, é importante sentir o que o paciente realmente quer, qual seu desejo, e explicar o que é possível de realizar no seu caso. A idade do (a) paciente, a área doadora (ie. região da cabeça de onde retiraremos os folículos), a extensão da área a ser implantada...todos estes fatores só podem ser avaliados numa consulta. Evidentemente, em se tratando de uma cirurgia, deveremos saber do passado médico e eventuais problemas clínicos do (a) paciente.


Os seguintes exames são solicitados antes da cirurgia, como rotina pré-operatória: exame de sangue (hemograma completo e coagulograma) e avaliação clínico-cardiológica com eletrocardiograma (ie. risco cirúrgico).


2ª etapa: O dia da cirurgia

Este é um dia especial para o paciente, já que existe uma grande expectativa e todo um investimento (psicológico, financeiro) por trás de sua decisão de submeter-se ao procedimento. Os exames laboratoriais (previamente verificados) e a avaliação clínico-cardiológica (ie. risco cirúrgico) devem ser levados à clínica. É solicitado jejum de pelo menos 6 horas, garantindo o esvaziamento gástrico completo. Deve-se estar usando roupa confortável, com uma camisa de abotoar (para não ter que vestir por sobre a cabeça na hora da alta). O paciente deve vir sempre acompanhado de alguém, que será a pessoa a acompanhá-lo de volta para casa no final do dia.

Antes de administrar o pré-anestésico (ie. pílula que fará um suave e lento processo de sono), todas as eventuais dúvidas serão resolvidas, e fotografias médicas serão tiradas. O anestesista será o responsável pela sedação durante a cirurgia, e irá explicar tudo que fará no quarto do paciente.

3ª etapa: A anestesia

Técnica cirúrgica

A cirurgia da calvície é considerada de porte médio (ie. causa um trauma mínimo ao paciente). Ela é realizada sob anestesia local, e quem administra isso é o próprio cirurgião, usando uma solução de xylocaína com soro. Esta aplicação é feita no local da retirada do fuso, e também onde os folículos serão implantados. Para que haja o maior conforto e segurança, o paciente é sedado pelo médico anestesista. Esta é uma sedação endovenosa: através de uma veia, faz-se uma solução de soro com sedativo (isso NÃO é uma anestesia geral). Esta é a maneira mais segura e controlável de fazer a sedação.

Não faz sentido operar o paciente acordado, ouvindo e sentindo tudo que se passa no centro cirúrgico. O "sono" dos sedativos é extremamente natural, e no final da cirurgia o paciente estará acordando normalmente. Não há risco de náuseas ou "ressaca". Durante a cirurgia, o paciente será monitorado por aparelhos e pelo médico anestesista.

4ª etapa: A operação

Técnica cirúrgica - Etapa 4 - Preparando Técnica cirúrgica - Etapa 4 - Implantando Técnica cirúrgica - Etapa 4 - Restaurando

A cirurgia inicia-se com a retirada de um fuso - ou retalho - de couro cabeludo da região posterior (área doadora). Ali permanecerá uma cicatriz linear, que jamais ficará perceptível (porque sempre estará escondida dentro do couro cabeludo). Fecha-se esta área com alguns pontos, sem nenhum prejuízo à nuca.


À seguir, este segmento de couro cabeludo - contendo centenas e centenas de folículos - é entregue à equipe de técnicas, treinada no correto preparo dos chamados enxertos foliculares. São usadas lentes de aumento para poder identificar o agrupamento natural dos folículos, assim preservando sua viabilidade. Cada enxerto contém de 1 - 4 folículos.

Uma vez que os enxertos são preparados, o cirurgião irá colocá-los na área de implantação através de uma agulha muito delicada. Cada pequeno enxerto é posicionado dentro de um orifício mínimo, que não deixará qualquer cicatriz. A maior concentração de enxertos é sempre colocada na linha anterior, garantindo uma alta densidade na metade anterior da área de implantação.

Esta cirurgia é muito dinâmica, e requer um time altamente especializado e bem treinado. Quando indicado, realiza-se um transplante grande (ie. com a colocação de aproximadamente 2.000 enxertos): a operação terá a duração de aproximadamente cinco horas. Chama-se de megassessão, uma vez que é implantado um número muito grande de enxertos.

5ª etapa: A recuperação

Ao final da cirurgia, o paciente estará acordado, já que a equipe de anestesia vai diminuindo a sedação. Não é colocado qualquer tipo de curativo, apenas uma compressa na região posterior da cabeça, que normalmente é retirada quando o paciente retorna para casa.

O paciente volta para o quarto de repouso andando, e lá fará uma leve refeição. Após um descanso de 2 ou 3 horas, estará em plenas condições de voltar para casa. Não é permitido que dirija, e de preferência haverá um parente ou amigo para acompanhá-lo para sua residência.

O pós-operatório

O paciente retorna à Clínica na manhã seguinte para realizar a primeira assepsia (lavar a cabeça). Na grande maioria das vezes não há dor; o paciente sentirá uma sensibilidade maior na região da cicatriz, mas isso é bastante tolerável. É possível que ocorra um edema (ie. inchaço) na testa nos primeiros dias. Por isso, recomenda-se que o paciente se ausente de suas atividades profissionais por um período de quatro a cinco dias.

Os pontos são removidos da área doadora após 7 - 10 dias. É importante explicar ao paciente que os implantes perderão o fio de cabelo. Este fenômeno é normal. Os folículos permanecem dentro do couro cabeludo e o crescimento definitivo será aparente após o 3º mês. Inicialmente os fios são mais finos, e passam a crescer de maneira permanente. O resultado final só será apreciado a partir do 9º mês.

O paciente deve ter muita paciência, aguardando um ano para ver o resultado definitivo.