Boletim nº. 8

O cabelo, a vaidade e a idade

Atualmente, a cirurgia de transplante folicular pode ser indicada para a maioria dos homens com calvície. É mais comum o homem mais jovem se apresentar ao médico quando percebe que está perdendo cabelo. Entretanto, homens com mais de 50 anos também se queixam de calvície com muita freqüência, desde uma rarefação nas “entradas”, até uma área bastante extensa de alopécia.

Vamos lembrar que, ao longo da história da humanidade, existe o desejo de manter o cabelo ao longo de toda a vida. O cabelo é o único adorno natural que o ser humano possui. Uma vasta cabeleira representa juventude, força física e sensualidade. Conseqüentemente, sua perda traz uma baixa na auto-estima. Homens na fase adulta com calvície queixamse de uma aparência mais envelhecida, e senhoras que sofrem perda progressiva de cabelo sentem-se constrangidas socialmente. O que pode parecer um problema de certa gravidade, atingindo a própria estética da pessoa, tem solução, que é o transplante cirúrgico de unidades foliculares, que são as células que dão origem ao fio de cabelo.

Por conhecimentos de outras pessoas (amigas, parentes, colegas de trabalho), muitos pacientes com mais idade acham que a cirurgia é um procedimento doloroso, com resultados bastante desagradáveis, temendo o aspecto “cabelo de boneca”. Hoje, o cirurgião deve passar ao paciente a segurança de que o resultado de um transplante de cabelo será natural, sem sinais de que uma cirurgia foi realizada, permitindo uma vida sem qualquer restrição ou constrangimento. A moderna técnica de correção da calvície foi considerada a “cirurgia dos anos 90”, pela Sociedade Americana de Cirurgia Estética (the American Society of Aesthetic Plastic Surgery, A.S.A.P.S.), tanto pelos avanços em relação aos procedimentos anteriormente realizados como pelos resultados atualmente obtidos.

Já as mulheres se encaixam em dois grupos diferentes. O primeiro é constituído por pacientes com tendência genética à rarefação, e como o homem querem restabelecer sua cabeleira. Um outro grupo procura o especialista porque foram submetidas à uma cirurgia estética facial, mas sentem constrangimento porque estigmas desagradáveis ficaram aparentes: a costeleta está mais recuada (dando um aspecto de face repuxada) ou cicatrizes aparecem no pé do cabelo. Estas mulheres invariavelmente reclamam que não podem mais usar um penteado curto ou puxado para trás, ou então queixam-se que as cicatrizes ficam mais visíveis ao molhar o cabelo. Muitas evitam praia ou piscina. Estes estigmas, embora não sejam erros de técnica, denunciam o “lifting”, e podem ser corrigidos com uma pequena sessão de transplante, para reconstruir a costeleta e camuflar as cicatrizes visíveis.

O transplante de cabelo deve ser realizado como qualquer outra cirurgia plástica, em centro cirúrgico adequadamente equipado para dar toda a segurança ao paciente. Na maioria dos casos, o procedimento é feito com anestesia local, e uma leve sedação, que é aplicada pelo médico anestesista. Assim, o paciente estará dormindo durante a operação, que leva, em média, quatro horas. É muito importante a presença do anestesista, para monitorar o bem-estar do paciente, verificando os sinais vitais, e deixando o cirurgião concentrado no trabalho de transplantar as unidades foliculares. Ao final da operação, o paciente encontra-se desperto, e poderá retornar à sua residência, não sendo necessária uma internação (sistema conhecido como “day clinic”).

O desconforto pós-operatório é mínimo. Recomenda-se um repouso em casa de pelo menos quatro dias. Na área implantada, pequenas crostas se formam. Estas secam e caem em aproximadamente duas semanas. A partir daí, o paciente deve ter paciência, já que cada folículo entra em fase de repouso, levando três meses para dar crescimento definitivo ao fio de cabelo. São necessários mais seis meses para que o resultado final seja apreciado, quando então o cabelo transplantado atinge um comprimento de aproximadamente 5 cm, permitindo um penteado natural. É provável que, satisfeito com o resultado, o paciente queira aumentar a densidade (ie. a quantidade de cabelo) da área implantada, o que requer uma segunda sessão de transplante.

Dr. Henrique N. Radwanski
Novembro, 2004